Politicamente não vejo grandes diferenças entre Portugal e Holanda, embora em Portugal felizmente não existam aqueles partidos pequeninos – ô, coitadinhos! – de extremo-direito. Por outro lado, em Portugal também não há um Partij voor de Dieren
Alias, um partido para os (direitos dos) animais seria bastante improvável neste país, julgo eu.

Contudo, no nível das grandes forças políticas às vezes encontro diferenças salientes. Por exemplo…
Os esquerdistas em Holanda fazem questão de sempre se exprimir… hã, politicamente correto. Em Portugal já me aconteceu várias vezes que um partidário declarado do Bloco de Esquerda me disse: “Mas… não gosto dos pretos!”
Apesar de não estar politicamente correta, uma declaração dessas parece-me infinitamente retardada. Não se pode rejeitar uma coisa – neste caso um grupo inteiro da raça humana – por causa de apenas um(!) traço distintivo… Penso eu!
Um entusiasta de automoveis ia rejeitar todos os Lamborghinis por que o escape não lhe agrada? Parece bastante parvo, não é!?
Pode-se não gostar de automoveis em geral, claro! Como se pode não gostar de seres humanos, mas… diga isso então: “Sou misantropo!” e não diga parvoíces, como o meu cunhado fez quando o “nosso” Eusebio era pela primeira vez internado no hospital com problemas cardíacos: “Não faz mal; é um preto!”
O meu cunhado não só é um benfiquista fervente, também é… tudo menos branco; dizer que ele tem um aspeto mouro, é favor!

Será que isso é a causa dessa esquizofrenia, que parece tão endêmica neste país, essa “proximidade” ameaçadora?
Como os flamengos – por medo da perda da sua identidade – protegem a ferro e fogo a pureza da sua língua contra as influências franceses, será que os portugueses querem denegar o seu passado mouro, por medo de ser considerados pelos outros países europeus como a vanguarda do estado islâmico, ah-ah… os escuteiros do Boko Haram, o limbo do Grande Califado?

Ou esse raciocínio meu está demasiado… hã, preto e branco?